domingo, dezembro 26, 2010

A única coisa que sobrevive a um ano ruim.

      O ano havia sido difícil para Fernanda. Muitas perdas, muitos desencontros, muitas discussões. Parecia que tudo que podia dar errado tinha dado. Maldita Lei de Murphy pensou Fernanda depois de uma pequena retrospectiva. E ela ainda tinha que encarar festa de Reveillon com a família quando a única pessoa que ela queria por perto, a mãe, já não estava mais com ela. Parecia que ela estava vivendo um pesadelo do qual não conseguia acordar de jeito nenhum.
   Edu também tivera um ano digno de um Oscar de melhor drama. As brigas incontáveis com o pai, a perda de tempo numa faculdade que ele odiava, as dificuldades com a banda e o distanciamento de Fernanda, sua namorada, tinham feito do seu ano um verdadeiro inferno. Era nessa vibe que ele olhava a roupa pronta em cima da cama e pensava nos convites para as várias festas que ele não queria ir, cheias de pessoas que ele não queria ver.
   O tempo se arrastava para os dois que se preparavam para a virada do ano como se estivessem indo pra forca. O que os consolava era que pelo menos o ano estava acabando. Edu se vestiu e escolheu uma festa perto de um lugar que costumava ser o lugar dele e da Fernanda pra que pudesse fugir pra lá caso não aguentasse mais a festa. Fernanda só desceu para receber a família porque achava que quanto antes começasse antes terminaria. Era quase meia noite quando depois de olhar para o relógio milhares de vezes Fernanda decidiu sair de fininho, pegou o carro e foi para o lugar onde lembrava de ter sentido a maior paz da sua vida, pois não aguentaria nem mais um segundo no meio da família. Edu não chegou a ver a hora, mas também fugiu perto da meia noite. Os dois caminharam em m eio às várias pessoas que esperavam pelos fogos que anunciariam o novo ano e como que atraídos por um imã do destino se encontraram alguns minutos antes de começar a contagem regressiva. Sorriram ao perceber que aquela coisinha que não parava de incomodá-los era apenas saudade. Sem dizer uma palavra se abraçaram e sentaram para ver os fogos. Quando 2011 finalmente começou eles sussurraram um ‘eu te amo’ baixinho e se perderam naquele momento mágico.

Um comentário:

  1. Nossa!
    Um amor de verdade cura tudo.
    Que 2011 traga muito 'eu te amo' verdadeiros.

    ;*

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