terça-feira, dezembro 07, 2010

Sexo, drogas, rock n’roll e amor.


     Eles se olharam. Já fazia tanto tempo desde a última vez. Mas apesar de quase um ano ter se passado parecia que havia sido há dez segundos. Ele ainda lembrava perfeitamente de sentir o corpo dela se contorcendo embaixo do dele enquanto, entre beijos e gemidos, sussurrava em seu ouvido aquele ‘eu te amo’ que ele tanto gostava de ouvir. Era uma noite fria, apesar do verão, um vinil do Led Zeppelin tocava como se Robert Plant os estivesse abençoando. No chão haviam roupas, uma garrafa de whisky pela metade, dois copos e um cinzeiro cheio de tocos de cigarro. Ela realmente sabia fazer festa como um homem ao mesmo tempo em que era meiga como uma mulherzinha. Ele riu ao lembrar disso. 
   Ela percebeu, pela forma como ele sorriu, que ele pensava na mesma coisa que ela. Aquela última noite tinha sido incrível, mas serviu pra provar que podia-se ir do inferno ao céu em alguns minutos. Ela ainda lembrava bem de quando deitou no peito dele, acendeu um cigarro e se deu conta de que, apesar de todo o amor que sentiam, não tinham sido feitos pra ficar juntos. Ela não estava pronta pra viver o resto da vida como aquela noite. Ela queria mais do que só aquela loucura que ele tanto amava. O sexo, as festas, as drogas, era tudo muito divertido, mas ela queria algo mais. E foi tão triste perceber aquilo ali, deitada no peito dele, depois do momento mais feliz de sua vida.
   Ela terminou o cigarro e disse que tinha que ir. Ele perguntou o porquê. Disse que ela poderia passar a noite, que ainda tinha whisky e cigarros, que o pó ainda nem tinha acabado e que ela ainda não ouvira o disco novo do Led que ele comprara. Ela levantou, se vestiu, deu um sorriso e disse que não podia ficar. Se despediu com um beijo e foi embora. Pra sempre, até aquele dia. Meses se passaram até que finalmente se reencontrassem. E bastou um segundo pra que percebessem que ainda não haviam esquecido um do outro. Depois de uma breve troca de olhares, em que toda aquela última noite passou por suas cabeças, eles se beijaram. A sensação ainda era tão única, tão deles. Não foi preciso dizer uma palavra pra que até os postes da rua soubessem que eles se amavam.
   Os dois saíram pra beber num bar próximo ao apartamento dele. Conversaram, jogaram sinuca, beberam. Ele riu da vida careta que ela estava levando. Ela sentiu uma pontinha de inveja ao ouvir sobre os shows que ele havia feito e as festas a que ele havia ido, os porres que tinha tomado. Não era como se ela não gostasse dessa vida. Na verdade ela amava, mas fora criada pra pensar que aquilo não poderia durar pra sempre.
   Eles foram pro apartamento dele que ainda era exatamente como na última vez em que ela estivera ali. Algumas roupas pelo chão, discos de vinil espalhados, latas de cerveja, maços de cigarro vazios amassados. Ela riu por constatar que nada havia mudado. Ele colocou pra tocar o disco que ela não ouvira na última vez, perguntou se ela tinha parado com o pó e riu quando ela respondeu que sim, mas que poderia tentar de novo. Cheiraram, fumaram, beberam e fizeram o melhor sexo do mundo. Quando ela terminou de fumar, deitada no peito dele, ele perguntou se ela iria embora de novo. Ela sentou na cama, pegou o copo de whisky da mão dele e sorriu. Deitada ali no peito dele ela percebera que talvez aquela não fosse uma vida pra se viver pra sempre e que talvez ela precisasse de algo mais, mas aquilo ali, daquele jeito, era exatamente o que ela queria viver pra sempre. Eles se beijaram e continuaram, não só pelo resto da noite, mas pelo resto da vida.

6 comentários:

  1. "mas aquilo ali, daquele jeito, era exatamente o que ela queria viver pra sempre."
    fiinal perfeito. Aliás, tooodo o texto. adorei (:

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  2. e com,o dissemos e fazemos coisas,
    as vezes sem explicação

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  3. O para sempre se vive todo santo dia... ela fez bem em não ir embora pela segunda vez.

    gostei do texto.

    beijo!

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  4. adorei o texto mano *-* Que forma incrível de escrever.

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  5. Amei o texto..
    Muito lindo, mesmo..

    by: Suinara Oliveira

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  6. Que bonito!
    Você escreve muiiiiiiiiiiiiiito. Adorei.

    *-*

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