sexta-feira, setembro 03, 2010

Sobre Amores e Libélulas.

“Um dia desses estava escorado na janela de um hotel qualquer quando uma libélula pousou a poucos centímetros do meu braço. Na hora, eu não sabia ao certo se aquilo era uma libélula, ou uma cigarra, ou um inseto gigante qualquer. Nunca soube, e os poucos segundos que perdi tentando classificar o bicho foram suficientes para que ele sumisse. Bateu asas e escafedeu-se entre as árvores.
Eu tenho uma ligação especial com libélulas. Foi correndo atrás de uma que eu me estabaquei no chão, fraturando uma costela, perfurando o baço e sofrendo uma hemorragia interna que por pouco não me matou. Tinha cinco anos e, desde então, convivo com uma cicatriz que me atravessa o abdome, lado a lado. Tudo que eu queria era vê-la de perto, justamente para me certificar se o bicho em questão era cigarra, libélula ou “seja-lá-o-que-fosse”.
Se a necessidade de classificar uma libélula me rendeu duas semanas de internação, imagino o que me aconteceria se eu ficasse tentando classificar meus sentimentos. Inclusive, me cansa ver por todo lado gente tentando diferenciar um sentimento do outro. Se é amor, amizade, namoro, rolo, beijo, ficada, passatempo… Não tenho a mínima idéia, e nem quero ter! São inúmeras as espécies de relacionamento e a tentativa de classificar a todo minuto algo que, ás vezes, é simplesmente inclassificável pode resultar em muito mais do que um baço perfurado.
Ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem você ainda não sabe se gosta, pode ser o seu último romance.
Lulu Santos pediu, a gente obedece:
‘Hoje o tempo voa, amor
E escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir!’

O amor é uma libélula que pousa na nossa janela pouquíssimas vezes. Corra atrás da sua libélula, sem medo de se machucar. Viva o seu romance. Viva o seu último romance.
Por Lucas Silveira

3 comentários:

  1. Disse tudo e mais um pouco.

    Enquanto eu lia sua palvras que juntas formaram um belo texto, lembrei de Quintana: "Por favor, deixa o outro mundo em paz! O mistério está aqui." Pra mim, o que ele disse e seu texto estão interligados, as vezes perdemos mais tempo tentando classificar nossos sentimentos do que vivendo-os.

    É minha cara temos muito ainda o que aprender e você, ao menos, já percebeu...

    Mais uma vez digo: Lindo, muito lindo o que dizeres.

    Beijos e Abraços Imundos!

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  2. achei muuuuuuuuuito lindo. Não devemos perder tempo classificando amores e sim vivê-los como o último! adorei, sério! *-*

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  3. Nossa muito muito bom, super bem escrito e com uma mensagem linda! Meus parabéns Lucas! *-*

    E a frase do final? Maravilhosa!
    Ainda mais porque amo libélulas! rs.

    Beijos!

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