quinta-feira, agosto 12, 2010

O triste fim de um grande campeonato

   Há uns dois anos, o Eduardo Bueno escreveu um livro contando a história da primeira vez em que nós gremistas tivemos a América aos nossos pés. E o livro começa com uma reunião dos Libertadores da América debatendo o fim da competição criada em sua homenagem. Foi a primeira vez em que eu parei pra pensar sobre o assunto. Preferia nunca ter pensado, porque é muito triste.

   A Libertadores da América teve seu primeiro jogo disputado em 19 de abril de 1960 apenas com a participação dos campeões de alguns países. Em 1964 o regulamento foi alterado e a participação dos vices também foi permitida fazendo com que o número de competidores aumentasse para vinte. Foram bons anos em que a essência mais pura do futebol sul-americano foi exaltada. Verdadeiros guerreiros entravam em campo para defender com muita raça a camisa de seus times. Não tinha frescuras no regulamento. Era campeonato pra homens de verdade que deixavam sangue e suor em campo. Não adiantava só ter o melhor time, ou a maior renda. Era preciso ser mais forte, mais guerreiro. O jogo era “pegado”, o carrinho aplaudido. Essa época contava com as características que me fazem admiradora do futebol sul-americano e eu lamento não tê-la vivido. Se eu soubesse que tomaríamos o rumo que tomamos hoje teria adiantado minha vinda ao mundo.

   Em 1998 a Copa Libertadores da América passou a se chamar Copa Toyota Libertadores e começou a aceitar times mexicanos. Era o dinheiro começando a falar mais alto que o futebol e a tradição. Um prenúncio de que a competição que no passado foi tão grande se encaminhava para um final vergonhoso. A coisa desandou de vez com o Once Caldas sendo campeão em 2004 (Não sabe que diabo de time é esse? Não se culpe, ninguém sabia até o fatídico ano). Depois vieram as duas finais caseiras ridículas de 2005 e 2006. A vitória do Once Caldas abriu um precedente perigoso, times sem tradição nenhuma começaram a ganhar o título daquele que foi no passado um campeonato da elite do futebol sul-americano. E agora, em 2010 chegamos finalmente ao cúmulo da decadência. A vaga para o mundial foi definida da semi-final, ou seja, um dos times pode sair campeão e não levar o prêmio. E o pior de tudo: o primeiro jogo da final foi disputado em um gramado SINTÉTICO. Não, infelizmente você não entendeu errado. Tivemos uma final de Libertadores disputada em um gramado que não é um gramado.

   Primeiro venderam o nome da competição, depois começaram a permitir a entrada de qualquer um (as vinte equipes de 64 hoje são já são trinta e nove) e agora os gramados são de borracha. É vergonhoso. É triste para os que como eu admiram o futebol sul-americano. É decepcionante para aqueles que no passado viram seus times disputarem verdadeiras guerras para erguer uma taça. Chega ao fim, definitivamente, a Libertadores da América. O nosso glorioso futebol sul-americano dá seu último suspiro. Ele não foi forte o bastante para sobreviver ao futebol como um negócio ao invés de uma paixão. Eu não sei o que virá a seguir e tenho medo de saber. Nos resta saudar os velhos tempos do futebol aguerrido que era jogado por esses pagos porque hoje acabamos de nos despedir da Libertadores.

Adeus.

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