sábado, julho 25, 2009

On The Road.

“Por um instante, alcancei o estágio do êxtase que sempre quis atingir, a superação completa do tempo cronológico num mergulhar em direção às sombras intemporais, uma iluminação na completa desolação do reino mortal, e a sensação de que a morte mordisca meus calcanhares e me impele para a frente como um fantasma perseguindo seus próprios calcanhares, e eu mesmo corro em busca de uma tábua de salvação, de onde todos os anjos alçaram vôo em direção ao vácuo sagrado do vazio primordial, o fulgor potente e inconcebível que reluz na radiante Essência Mental, incontáveis terras-lótus que desabrocham na mágica tepidez do céu. Eu podia ouvir um farfalhar indescritível, que não estava apenas nos meus ouvidos, mas em todos os lugares, e não tinha nada a ver com sons. Percebi que tinha morrido e renascido incontáveis vezes, mas simplesmente não me lembrava justamente por que as transições da vida para a morte, e de volta à vida, são tão fantasmagoricamente fáceis, uma ação mágica para o nada, como adormecer e despertar um milhão de vezes, em profunda ignorância e completa naturalidade. Compreendi que somente devido à estabilidade da mente propriamente dita aconteciam essas ondulações de nascimento e morte, como a ação do vento sobre um lençol de água pura, serena e espelhada. Senti uma satisfação completa, ritmada, como um pico de heroína numa veia principal; como aquele gole de vinho que traz um arrepio de satisfação num fim de tarde; meus pés se arrepiaram. Pensei que ia morrer naquele exato instante. Mas não morri (…)”
Jack Kerouac.
                              on the road

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