sábado, março 07, 2009

E o que sinto não sei dizer.

O Renato Russo me inspira demais. Não sei se é por ele ser o maior poeta do Brasil, ou porque ele simplesmente fala de sentimentos de uma maneira tão simples, mesmo que eles sejam extremamente complexos. Isso pode não fazer muito sentido, mas quem precisa fazer sentido estando acordada desde as 4 da manhã ? Ouvindo Love In The Afternoon, eu me dei conta de uma coisa incrível. Em uma curta estrofe ele explicou o porque de eu me sentir dessa forma em relação à alguém que aparentemente não merece.
“Quando eu lhe dizia: - Me apaixono todo dia E é sempre a pessoa errada. Você sorriu e disse: - Eu gosto de você também. “
O efeito dessa simples frase resultou tudo que aconteceu, tudo pelo que passamos. Talvez eu não o ame no sentido mais profundo e verdadeiro da palavra. Nesse caso, a recíproca é verdadeira. Mas isso quer dizer que nossa história inexiste ? Que deveríamos deixar isso morrer assim ? Acho que não. Eu gosto dele. De uma maneira inexplicável, totalmente louca e sem sentido. Mas pra que explicar ou entender se sentir supera qualquer entendimento ? A verdade é que de alguma forma há uma ligação inegável, existe algo entre nós que não sabemos entender e que nos faz estragar tudo sempre. Não é fácil lidar com aquilo que não podemos entender. É por isso que fugimos. A fuga, mesmo que covarde e burra, é sempre a opção mais aceitável. Você se foi. Eu estou aqui. Eu ainda não entendo. Você também não, certo ? Não há saída para nós pelo simples fato de não poder existir fim pro que nem chegou a começar. É estranho, maluco, incompreensível e tudo mais que possa parecer aos olhos de quem não vive essa história (história com H, porque estória não existe mais. na verdade nunca existiu né ? agora só fica mais difícil saber quando ela é real ou não.).
Algumas vezes penso que eu vivo em uma realidade paralela por acreditar nisso tudo. Eu deveria ficar com a opção mais simples, você não quer e ponto. Você vai, eu sigo em frente. Mas por que isso parece tão difícil de acreditar ? É essa dúvida que me prende. O fato de algo aqui dentro gritar que tem algo a mais. Pode ser o meu inconsciente desavisado lutando uma batalha perdida. Ou minha intuição me dizendo para acreditar. Não consigo identificar o dono da voz, talvez sejam ambos. O pior de tudo é que acredito nessa voz e fico aqui. Eu não sigo em frente e você também não se vai. Não totalmente. Não pra sempre. Por que ? Se me derem uma resposta que faça sentido eu sigo em frente. Mas se você ficar eu fico também. Mesmo que fiquemos os dois parados aqui pra sempre. O mesmo pra sempre que nunca se encaixou bem na nossa história (será que antes da reforma ortográfica seria estória ?). Nunca houve um pra sempre. Nem para o bem e nem para o mal. Também nunca houve bem e mal, bom ou ruim, certo ou errado. Confuso ? Sempre foi.
Agora os textos otimistas sobre coisas bonitas se foram. Eu sempre fui repetitiva e contraditória mesmo. A felicidade faz sentido e eu odeio fazer sentido. Prefiro ser assim a ser o que eu não sei ser. E acabaram as músicas do Renato na playlist. Começou a tocar Cazuza, outro grande poeta. Ele disse que só as mães são felizes. Será ? Mas eu não quero ser mãe, como fico daí ? Talvez essa seja a moral da história, eu estava fazendo a pergunta certa, pro poeta errado. Talvez eu não deva ser feliz mesmo. Ainda bem que não precisa ser feliz pra ouvir música boa.

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